Foi numa corrida no ano passado que decidi pensar melhor e alertar meus alunos e amigos que correm, quanto ao uso de acessórios. Era uma corrida com distancias de 5km e 10km. Como as largadas aconteceriam em horários diferentes, resolvi primeiro correr os 5km de forma competitiva e logo após correr os 10km para observar o comportamento dos demais corredores, principalmente quanto ao uso de acessórios para a corrida. Me assustei com a enorme quantidade de “armamento” que alguns corredores levavam consigo para a corrida, com os sons de aparelhos de GPS e frequencímetros sendo ajustados, com os conselhos sobre calçados, hidratação e até o que levar para se alimentar de forma desnecessária durante aquele percurso.

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Será que o simples fato de estar correndo, vale um investimento alto em uma grande quantidade de acessórios que, na maioria das vezes não se sabe manipular, e muitas vezes acaba atrapalhando, ao invés de ajudar? Imagine você carregando seu peso corporal e mais alguns quilos extras gerados pela vaidade e pelo modismo. Concorda que o gasto energético será maior? Então, vamos de forma resumida avaliar o que se faz necessário na vida de um corredor, descartando alguns supérfluos e descobrindo que nem sempre o que funciona para um,  pode funcionar para o outro.

Cada vez mais o mundo tecnológico e inteligente invade as corridas, e não temos para onde correr. O mercado oferece um arsenal que promete auxiliar na performance, tênis com design e características próprias, aplicativos  que substituem GPS, fazem integração com a internet armazenando o histórico de treinos, calculam seus tempos e ainda compararam sua performance.

O que vestir? Atualmente a moda é usar roupas de compressão conhecidas como “segunda pele”.  Essas peças prometem melhorar seu rendimento na corrida e a recuperação após os treinos. No entanto, devemos ficar atentos às diferenças entre a roupa de compressão e roupa colada no corpo. As roupas de compressão exercem pressão controlada sobre a musculatura, enquanto as roupas “coladinhas” apenas moldam o “corpitcho”.  Minha sugestão: utilize roupas confortáveis e que te façam se sentir seguro. No meu caso, sempre opto por roupa mais colada, uma bermuda de compressão que previne assaduras entre as pernas e um par de meia que não escorregue dentro do tênis. Se optar por roupas mais folgadas, atente-se ao atrito delas no corpo, em regiões mais sensíveis, como no mamilo (no caso dos homens) e axilas. Já as mulheres, devem optar pelo uso de um top mais justo ao corpo.

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O que calçar? Existe uma grande polêmica entre correr com tênis, correr descalço ou com tênis minimalista (aqueles que parecem sapatilhas que encaixam os dedos, “fivefingers”). Pois bem, para um corredor iniciante e amador, sugiro que o mesmo faça uso de um par tênis, pois o mesmo ainda não possui grande controle sobre seus movimentos e por isso pode se machucar facilmente. O primeiro passo é descobrir se sua pisada é neutra, pronada ou supinada (a maioria dos brasileiros é de pronadores). De posse do resultado da sua pisada, não escolha um tênis que seja somente caro e bonito. Leve em consideração o amortecimento, a amarração(é desmotivador  ter parar para amarrar o tênis durante treinos e provas),  a ventilação e flexibilidade. Minha sugestão: Pelo custo benefício e pela necessidade de fazer um rodízio de tênis (explicarei posteriormente), opto pelas marcas K-Swiss ou Asics que, além de conterem todos os itens citados são esteticamente bonitos.

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Frequencímetro ou GPS? Música no celular ou ipod? O uso de um frequencímetro é de suma importância para o praticante de qualquer atividade física, mais ainda para o corredor, seja ele iniciante ou de alta performance. Não é questão somente de segurança mas uma das formas de prescrever os treinos é pela frequência cardíaca e visualizando estes dados no monitor do seu relógio torna o treino mais dinâmico e eficiente do que fazer a aferição de forma manual. A escolha pode variar desde um simples frequencímetro até um mais sofisticado com GPS onde você tem além da frequência, dados como a velocidade e a distância percorrida. O investimento pode variar de 60,00 a 2 mil reais. Pode-se adquirir um Oregon que é um modelo mais simples, porém eficaz, ou um Garmim, Timex ou Soleus que possuem GPS integrado.

A música pode servir como estimulante durante a corrida. No entanto, pode atrapalhar você ouvir sons como sirenes de ambulância, buzinas e mais importante ainda: os sinais do seu corpo(respiração, passada, etc) que vão te nortear durante os treinos. Sendo assim, é importante ficar atento ao uso de músicas durante treinos e provas.

Como disse no início, a tecnologia é nossa aliada e sempre traz novidades que muito nos ajudam. Existem alguns aplicativos que estão disponíveis para download na maioria dos smartphones, como por exemplo o Runkeeper, o Linha de chegada, o Runmeter, o NikePlus, o Race Race Calculator, o Running Predictor, entre outros. Estes funcionam como GPS e você pode ainda ouvir música se achar mesmo necessário. No meu caso, uso um GPS Garmin, em todos os treinos e provas, e ouço músicas do ipod somente quando corro na esteira.

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A corrida possui momentos raros e preciosos que devem ser aproveitados, por isso quanto mais tempo você perder se “enfeitando” são minutos a menos de prazer que poderá desfrutar dessa tão fantástica atividade. Use o que te faz bem e invista apenas no necessário! Seu jeito de se vestir na corrida pode ser estanho, dentro ou fora da moda, mas não contrarie seu corpo e nunca abra mão do conforto.

 

Até mais,

 

Marcelo Avelar