Amigos com “Q” de quilômetro,

Do que é composta a sua vida? De sonhos?!! Sonhamos em ter um futuro melhor, muita saúde, sucesso no trabalho, uma família ideal. Os tais sonhos funcionam como uma máquina perfeita que gera força para planejar (nem sempre), traçar algumas metas e ao menos tentar obter êxito.

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No esporte não é diferente, ao transferirmos nossos sonhos para as corridas, por exemplo, pensamos em aumentar distâncias, bater recordes, diminuir tempos e até mesmo completar aquela prova “casca-dura”.

É natural a busca por alguns bons resultados dentro do esporte, mas a performance precisa ser vista por um ângulo de consequência do que você desenvolve e não como causa, ou seja, eu treino buscando saúde, estética, sociabilização e automaticamente me condiciono mais e  consigo assim melhorar meu desempenho e cada vez traçar metas ainda mais ousadas. É natural do ser humano ter natureza competitiva, porém mesmo no esporte de alto rendimento essa competição deve ser levada com respeito e de forma saudável.

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E no esporte amador?

Pense comigo, se profissionais do esporte, que financeiramente dependem de resultados, possuem altos salários, trocam de clube jurando amor ao instintivo, devem seguir uma conduta de companheirismo compartilhando mutuamente de respeito, por que então nós amadores, que praticamos o esporte por diferentes causas devemos destoar disso e na maioria das vezes criar ambientes desfavoráveis com disputas que mais  tendem a elevar o ego e se autopromover? A disputa dentro da corrida tem que ser com você, chegar atrás ou na frente de alguém é irrelevante quando o assunto é amizade verdadeira e não apenas amigos de ocasião.

Claro que tem que existir uma disputa saudável, sou competitivo e aprovo tal conduta, desde que isso não cause desconforto ou seja tratado como primordial na prática esportiva. Essas saudáveis disputas geram estímulos e estes por sua vez contribuem para a realização dos já inicialmente falados sonhos.

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Mesmo que grupos acabem ou cessem as provas de corrida, as amizades vão ficar, o convívio social permanece, amizades são mantidas por longas datas e nós como seres humanos precisamos sociabilizar, se enquadrar em alguma “tribo” e para isso não preciso perder a minha individualidade.

O que vou chamar de “máquina sócio-esportiva” depende de peças, parafusos e combustível,  que podem ser os treinos, descanso e alimentação, respectivamente. Mas como ligar essa máquina? Pois é, o botão de PLAY, o seu “go run!” é o seu amigo. É com ele que você traça e aceita os desafios, sejam eles os mais loucos possíveis. Esse amigo te estimula a ir aos treinos, é ele quem fala “vamos mais um pouco” e comemora contigo cada quilômetro ou segundo percorrido.  No ambiente esportivo existem vários botõezinhos de PLAY e a cada treino novo, a cada prova completada surgem novos, reforçam os laços dos antigos e esse fenômeno numa atualidade onde a mecanização e industrialização regem cada vez mais a distância entre as pessoas, deve-se aproveitar essa aproximação e abundância de amigos e comemorar.

A segurança com que escrevo esse texto é que meu botão de PLAY foi uma amiga e desde 2010 acumulo mais amigos que quilômetros, e diga-se de passagem que já corri muito nesses quatro anos de prática.

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Quando iniciei na corrida, meu PLAY foi uma amiga que corre comigo até hoje. Nessa trajetória, algumas pessoas que “brigavam” comigo por posições se tornaram grandes amigos, parece complexo falar que um cara que fez mais de 10 provas alternando a posição de chegada comigo, sem ao menos trocar uma palavra, apenas nos olhávamos, hoje se faz presente na maioria das minhas conquistas. Já teve aquele que mesmo podendo me ultrapassar, preferiu carregar dois copos de água e me oferecer durante o percurso. Teve também outro que dei a mão quando ele literalmente caiu, já nos ajudamos para subir no pódio segurando nas mãos pois a câimbra resolveu dividir a premiação conosco naquele dia. Diminuir seu ritmo, acompanhar um amigo, dividir carona com quempossivelmente pode tirar você do pódio, retirar o kit de quem tem uma chance maior que você, aplaudir chegadas, amarrar cadarços, todos esses são gestos que fortalecem a máquina sócio-esportiva.

Então camarada, seja inteligente! Não pratique a mesquinharia, o individualismo ou o preconceito! O esporte tem o objetivo de promover a saúde, a sociabilização, fortalecer os laços de amor e carinho, aumentar o convívio social. O seu treinador pode mudar, a sua assessoria pode acabar, aquela prova preferida pode não ter mais. Mas o seu verdadeiro amigo, esse sim fica pra sempre. Aquele que te aplaude, que te abraça com carinho, que motiva, incentiva, cria desafios que as vezes parecem loucos, que te leva para treinar. Apenas não confunda aquela pessoa que num frio click do mouse curtiu a sua foto numa rede social ou teceu um comentário de “Parabéns, você merece!” de forma invejosa ou mentirosa, com aquele que realmente te ama, que a última pergunta dele é “Qual foi seu tempo”?

 

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O PLAY verdadeiro não quer saber sua colocação, ele que sorrir com você, comemorar a vida, celebrar sem motivos, apenas por acordar, por viver, por você existir, essa máquina é em preto e branco, não da pra perceber raça ou crença, não se distingue gênero, o que está em jogo é a cumplicidade dos momentos simples, esses duram mais que simples horas de prova.

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Encontre seu PLAY, aperte seu pace, aperte seu PLAY!

 

Marcelo Avelar